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14 anos de Portugal Rebelde

A magazine digital Portugal Rebelde é um dos casos que se torna uma inspiração para o Portugarte, pelo trabalho que tem desenvolvido. No mês de Dezembro celebrou 14 anos e ao longo deste período foi-se tornando um aliado da boa música que se faz em Portugal.

Espaço inteiramente dedicado ao que se faz em Portugal, é diariamente atualizado com informações e novidades, entrevistas, reportagens e muita música, permitindo aos visitantes estarem sempre a par do que por cá se vai fazendo, seja com projetos a despontar ou com artistas que nos fomos habituando a ouvir.

António Manuel Almeida é o autor. Natural de Peso da Régua, foi fazendo de tudo para fazer chegar ao interior do país a música que se vai fazendo, primeiro através da rádio, onde colaborou nos finais dos anos 80, na RDP – Rádio Alto Douro – depois, numa outra plataforma – a internet.

Com 14 anos de existência, 26 mil posts e cerca de 1 milhão de visitantes, a verdade é que o nome Portugal Rebelde já saltou da esfera virtual – emprestou o nome a duas coletâneas, uma revista, um programa de rádio e um festival mensal no Peso da Régua.

Falámos com António Manuel, com uma enorme curiosidade pelo passado, presente e futuro da comunicação cultural digital. É um tema que se relaciona fortemente com o Portugarte e confesso que também tentámos aprender com esta entrevista.

Afinal como se aguenta tanto tempo a divulgar música independente? Qual é o segredo? O que mudou nestes anos na comunicação? E na música?

Fiquem com a entrevista.

Qual é a linha editorial do “Portugal Rebelde” e como definiriam o projecto, para aqueles que o desconhecem?

O Blogue Portugal Rebelde chega ao grande público depois de eu ter tido algumas incursões na rádio, com programas dedicados à música portuguesa. O PR nasce com o grande objetivo de dar “voz” a imensos projetos que não tinham espaço nas rádios e muito menos na imprensa escrita. Sabíamos que o PR poderia ser uma janela de oportunidades para os muitos projetos que estavam a emergir. Logo nos primeiros meses do arranque do blogue (2006) sentimos que tínhamos razão.

Nestes 14 anos de existência houve um desenvolvimento frenético na comunicação, nomeadamente em plataformas digitais. Como foi comunicar arte em 2006 e que mudanças houve para os dias de hoje? E já agora, como vês o futuro?

Em 2006, os blogues começavam a ser a grande “moda” na comunicação. A rádio, por sua vez continuava a perder espaço de intervenção, o que permitiu que muita gente tenha apostado nesta nova “ferramenta” de divulgação. As mudanças para os dias de hoje foram muitas. As plataformas digitais ganharam um papel preponderante na comunicação. A televisão, quanto a mim deveria ter um papel mais marcante na divulgação da música que se faz em Portugal. Temos apenas um programa com essas características na televisão pública e mesmo assim “empurrado” para um horário pouco nobre.

Talvez devido à própria comunicação ou até por um crescimento cultural, há também um aumento de bandas e de público que consome música portuguesa. Concordas com esta afirmação? Achas que há mais gente a querer fazer música com o selo em português ou achas que as plataformas digitais é que foram responsáveis por nos chegar mais música do nosso país?

Na verdade, tem havido um aumento de bandas. Hoje é mais fácil formar uma banda e gravar um disco. Por outro lado, há também mais gente a consumir (ouvir) música com o selo em português. A produção de música em Portugal não fica nada a dever ao que se faz de melhor lá fora.

Honramos muito o teu trabalho, porque também nos identificamos com ele. Sabemos o trabalho enorme que está numa plataforma como o Portugal Rebelde, mas também entendemos a enorme importância que este trabalho tem para que a cultura independente seja descortinada. Achas que a comunicação Do It Yourself está em crescimento? Ou achas que estamos cada vez mais a ser sugados pelos mass medias?

Infelizmente, acho que estamos cada vez mais a ser sugados pelos mass media, apesar do muito que se tem feito para que a cultura independente seja descortinada.

Sei que o Portugal Rebelde não se limitou a ficar apenas por um sítio na internet. Que mais eventos e actividades se realizaram através deste projecto?

Ao longo destes 14 anos, o PR já teve vários “formatos”. Para além do blogue, estivemos na rádio durante 5 anos, editamos 2 CDs, uma revista totalmente dedicada às muitas reportagens fotográficas que efetuamos em concertos de norte a sul do país. Outro momento muito especial foi o “Portugal Rebelde ao Teatro!”, um ciclo de concertos, que durante 1 ano animou a cidade onde o Portugal Rebelde tem o seu “quartel general” – Peso da Régua. A mais recente “aventura” do PR é o PR+ , um Podcast que teve início no passado mês de janeiro. Um espaço mensal de divulgação das mais recentes produções nacionais. Muito mais haveria para pôr em prática se tivéssemos uma equipa mais alargada, e acima de tudo se os apoios fossem uma realidade.


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Etiquetas:, , , Last modified: Fevereiro 9, 2021