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Azar Azar | Entrevista ao Portugarte

Azar Azar é o alter ego de Sérgio Alves, artista do Porto, que se apresenta com o seu primeiro par de músicas originais. O EP Azar, vai ao encontro do jazz fusion ou do nu-jazz e pode-se encontrar em vinil, lançado pela editora Jazzego.

Azar Azar

Azar Azar é o alter ego de Sérgio Alves, artista do Porto, que se apresenta com o seu primeiro par de músicas originais. O EP Azar, vai ao encontro do jazz fusion ou do nu-jazz e pode-se encontrar em vinil, lançado pela editora Jazzego.

Se estás à espera de uma viagem intranacional, guarda o bilhete para outra oportunidade, porque esta carruagem de luxo é raro passar tão perto. Assim fiquei, surpreendido e contente, quando ouvi as primeiras notas do EP, Azar. São linguagens muito pouco exploradas no nosso país, rompendo o panorama do jazz em Portugal que, embora forte, também é elitista.

O músico portuense é compositor, produtor, pianista, sound designer, DJ e já gravou ou colaborou com artistas como a Marta Ren, Capicua ou Maze. Com estes trilhos, seria provável que os temas Inner World e Space Coconut Conspiracy brotassem arrojados, tal como se mostram, cheios de experiência e maturidade.

Azar é um EP que traz muitas raízes africanas, juntando o jazz ao funk ou ao hip-hop. Um prato cheio de comida tropical, de sabores novos e bem vindos, que se fundem e se apropriam aos tempos presentes. Uma receita que estamos habituados a provar de países como o Reino Unido, que lançou nomes nos últimos anos como Kokoroko ou Ezra Collective.

O disco conta ainda com três remisturas dos originais de Azar Azar, protagonizadas por K15, Minus & MR Dolly e Esa.

O PORTUGARTE fez três perguntas a Sérgio Alves sobre o seu novo projecto e sobre o panorama do jazz em Portugal.

Ainda este ano, a forma que arranjaste para celebrar os 50 anos do mítico Bitches Brew (1970), de Miles Davis, foi fazer um rework com alguns temas do álbum, um trabalho essencialmente de remistura electrónica.
Neste novo EP apresentas dois originais. Queres-nos contar um pouco sobre o processo de criação das faixas Inner World e Space Coconut Conspiracy? Contaste com a colaboração músicos para a produção do EP?

Tanto a Space Coconut como a Inner World, foram criadas por mim no estúdio recorrendo a loops, teclados… como sou ligeiramente control freak e com algum nível de OCD geralmente trabalho de forma solitária. Só depois de ter maquetes super exaustivas dos temas é que falei com os músicos, para procedermos à gravação no meu estúdio. Os músicos que participaram foram: Manu Idhra (percussão), Bruno Macedo (baixo), Ricardo Danin (bateria) e João Samuel (Sax, Flauta). O Minus e o Flecha também foram super importantes, pois ajudaram no processo de gravação. 

Apesar deste ser o teu primeiro trabalho de originais, contas com uma bagagem enorme de experiência. Além de DJ, és um músico que já trabalhou com nomes como CapicuaMaze ou Marta Ren. Como é que consideras que o teu caminho musical foi dar a este AZAR EP com tanta fusão de jazz contemporâneo?

Eu sempre gostei bastante do jazz fusão dos anos 70, principalmente das linguagens mais próximas do jazz-funk. Apesar de ter tocado com inúmeros projectos de diferentes latitudes musicais, eles situam-se relativamente próximos da música de raiz mais negra (numa lógica afro-americana), não estando assim tão afastado da estética do EP AZAR. Além de tudo isto, estudei piano e composição jazz, logo a linguagem jazz sempre esteve por lá, e o meu percurso enquanto músico integrante de diferentes projectos, tratou da componente fusão!

Jazzego é uma recentíssima editora no Porto, que já tinha pegado no teu trabalho de remistura de Miles Davis e que agora estreia-se em originais, com o teu novo EP. Como é que olhas para o futuro do jazz em Portugal? Achas que as águas das novas tendências como o nu-jazz, já estão a ser agitadas no nosso país?

Creio que o jazz dificilmente ocupará uma posição mainstream, mas espero que comece a ocupar um papel de maior relevo no panorama musical português porque há imensos projectos de grande qualidade. No que diz respeito a estas novas linguagens, que utilizam tanto o jazz como o hip-hop, ou a música house como matriz estética, creio que é possível fazer surgir um movimento. Se há mercado em Portugal para os projectos internacionais desta área, porque não haver para os que surgem cá? 

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Etiquetas:, , , , , , , , , , Last modified: Setembro 22, 2020